
"Quando Deus inseriu-se no tempo e tornou-se homem , aquele que era ilimitado, limitou-se. Aprisionado pela carne. Restrito por músculos propensos a se cansar e a pálpebras. Por mais de três décadas, seu alcance antes ilimitado seria limitado pelo alcance de um braço, sua velocidade, controlada pelo ritmo dos pés humanos.
Fico pensando se ele se sentiu tentado a reclamar da perda de sua infinitude. Será que, no meio de uma longa viagem, ele não considerou a ideia de se transportar imediatamente para a próxima cidade? Quando a chuva lhe esfriou os ossos, será que não se sentiu tentado a mudar o clima? Quando o calor lhe secou os lábios, será que nunca pensou em ir para o Caribe em busca de refrigério?
Ainda que tenha tido tais pensamentos, nunca cedeu a eles. Nem uma vez sequer. Pare e pense nisso. Cristo jamais usou seus poderes sobrenaturais para obter conforto pessoal. Com uma palavra ele poderia ter transformado a terra dura numa cama macia, mas não o fez. Com um movimento de sua mão, poderia ter mandado de volta o cuspe de seus acusadores bem na cara deles, mas não o fez. Com um movimento de sua sobrancelha poderia ter paralisado a mão do soldado quando este lhe enfiava a coroa de espinhos. Mas não o fez.
Quer saber qual é a coisa mais legal em relação a sua vinda?
Não foi o fato de Aquele que brincava de bolinha de gude com as estrelas ter aberto mão disso para brincar de bolinha de gude com bolinhas de gude. Também não foi o fato de Aquele que sustentava as galáxias ter aberto mão disso para segurar batentes de porta de um cliente irritado que queria tudo para ontem, mas que só poderia pagar amanhã.
Também não foi a questão de, num piscar de olhos, Aquele que não tinha necessidade de nada passar a precisar de ar, comida, água quente e sais para seus pés cansados e, mais do que qualquer outra coisa, precisar de alguém - qualquer um- que estivesse mais preocupado com o lugar onde passaria a eternidade do que com o lugar onde gastaria o salário.
Também não foi o fato de ter resistido ao desejo de fritar os mesquinhos e autodefinidos protetores da santidade que ousaram sugerir que ele fazia obras do diabo.
Nem foi o fato de ele ter-se mantido calmo quando os doze melhores amigos que tivera sentiram o calor e saíram da cozinha. Nem o fato de não ter dado permissão aos anjos que imploravam "apenas um sinal com a cabeça, Senhor. Uma palavra e esses demônios serão transformados em ovos fritos".
Nem mesmo o fato de ele ter-se recusado a se defender quando recebeu a acusação de todos os pecados de toda prostituta e de todo vadio desde Adão. Ou que tenha permanecido em silêncio enquanto milhões de veredictos de "culpado" ecoavam no tribunal dos céus e o doador da luz era deixado no frio da noite de um pecador.
Não foi nem mesmo o fato de, depois de três dias num burado escuro, ele ter caminhado no alvorecer da Páscoa com um sorriso, um andar altivo e uma pergunta ao humilhado Lúcifer: "Esse é o seu melhor golpe?".
Tudo isso foi legal, muito legal.
Mas quer saber qual foi a coisa mais legal em relação áquele que abdicou da coroa do céu para usar a coroa de espinhos?
Ele fez isso por você. Especialmente por você."
(Max lucado. Seu nome é Jesus. São paulo: Mundo Cristão, 2010)
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Um bejim!